"UMA NOVA ESTELA: TRANSTORNO BIPOLAR OU DEFICIT COMPORTAMENTAL? – UM ESTUDO DE CASO EM TERAPIA POR CONTINGÊNCIA DE REFORÇAMENTO (TCR).”

Estela (49), era aposentada por invalidez, mãe de duas filhas, Naiara e Marina e estava casada com Carlos há 32 anos. A cliente chegou à terapia por intermédio da sua filha mais velha, após a mãe ter passado por um longo período em depressão e ter sido diagnosticada com Transtorno Bipolar. Na ocasião, Naiara, relatou a dificuldade vivenciada pela família em lidar com os comportamentos apresentados por Estela, principalmente com aqueles associados ao transtorno, os quais vinham afetando de forma negativa os relacionamentos na família. Dentre as dificuldades apresentadas por Estela, destacavam-se: (a) lidar com situações aversivas; (b) discriminar padrão impulsivo dos seus comportamentos; (c) controlar a intensidade dos seus comportamentos e discriminar as consequências produzidas; (d) comportar-se de forma adequada pra obter atenção; (e) comportar-se sob controle de contingências e não de regras e auto-regras; (f) expressar seus sentimentos de forma assertiva; e, (g) comportar-se sob controle de contingências atuais e não de contingências passadas. Os objetivos terapêuticos foram ajudar a cliente a desenvolver seu repertório comportamental, principalmente no que se referia a capacidade de discriminação das contingências em operação e na melhora das relações parentais e sociais. Para tal, o terapeuta utilizou-se principalmente de intervenções verbais com base nos relatos da cliente ao longo das sessões. As instruções tiveram função de fazer com que Estela discriminasse melhor seus comportamentos e os contextos nas quais eles ocorriam, possibilitando que a cliente entrasse em contato com as consequências, para que desta forma fosse possível propor modificações de comportamento com o intuito principal de melhorar as suas relações interpessoais. Alguns resultados obtidos foram: melhora na discriminação das contingências em operação; aumento da resistência à frustração; melhora nas suas relações interpessoais, principalmente no contexto familiar, redução da frequência em ficar sob controle de contingências passadas; etc. Alguns destes resultados foram consistentes e outros parciais a depender da dificuldade da cliente e do custo que a resposta tinha para ela. Mediante a uma nova proposta de trabalho oferecida ao seu marido em uma outra cidade, a cliente optou por acompanhá-lo, o que resultou na interrupção do processo terapêutico.