FENOMENOLOGIA, MOTRICIDADE E LINGUAGEM: A RODA DE CAPOEIRA E O CORPODOW

EDUARDO OKUHARA ARRUDA

Esta pesquisa estuda o corpodown na experiência que acontece na roda de capoeira enquanto ser motrício, ou seja, o ser que se move com sentido e em busca de significado. A pesquisa baseia-se na perspectiva da Motricidade Humana do filósofo Manuel Sérgio, que tem suas raízes na Fenomenologia e na Corporeidade estudadas por Maurice Merleau-Ponty (SÉRGIO, 1991-2008; MERLEAU-PONTY, 2011). A pesquisa parte do pano de fundo fenomenológico-existencial para a compreensão do corpodown, uma existência que está enraizada em um mundo de sentido e significado. Os sentidos do movimento que se manifestam neste jogo nos permitem entender melhor os sentidos que eles têm na motricidade down e compreender, intencionalmente, melhor o seu comportamento. As análises e discussões propostas não seguem modelos quantitativos e empíricos, pois, metodologicamente, o enfoque foi hermenêutico-fenomenológico, ou seja, trata-se de aprofundar a manifestação do sentido em nossa própria maneira de ser intencional e de nos relacionarmos com o sentido das coisas (método fenomenológico). O jogo da capoeira oferece um discurso estético exemplar da existência-motriz e, nesse sentido, o objetivo desta pesquisa foi compreender, a partir de uma fundamentação hermenêutica, o sentido e significados que a capoeira possui para o corpodown. Ainda no que se refere à parte metodológica, levamos em conta as contribuições da Ciência Cognitiva desenvolvida por Francisco Varela (também fenomenólogo) com seu produtivo princípio de encarnação enativa (VARELA, 1996-2000). Isso nos permitiu traduzir para a linguagem escrita o sentido e o significado que a capoeira adquire para a existência do corpodown. Foram selecionados quatro jovens com Síndrome de Down (SD), que praticam capoeira há mais de 3 anos no grupo da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). A partir dos pressupostos da Motricidade Humana (MH) constituímos uma Matriz Compreensiva Fenomenológico-Hermenêutica (MCFH), núcleos de significações (NS) e seus respectivos aspectos orientadores da corporeidade motriz, que nos permitem abordar o corpodown em ação na roda de capoeira. As análises descritivas do corpodown motriz em confluência com minhas análises hermenêuticas e, ainda, com as narrativas-testemunhos de mães, permitiram, dentro dos limites deste tipo de análise, ampliar alguns horizontes de compreensão do sentido destes sujeitos com down praticantes de capoeira e, especialmente, compreender a importância fundamental dos estudos fenomenológico-hermenêutico (sem esquecer as contribuições empíricas) para a educação da existência down, relevância esta que se estende à Educação Física, e a Arte em geral.

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