O SEXISMO NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA: UMA ANÁLISE DOS DESENHOS INFANTIS E DOS ESTEREÓTIPOS DE GÊNERO NOS JOGOS E BRINCADEIRAS.

Sissi Aparecida Martins Pereira

O estudo tem a intenção de trazer, para a cena da Educação Física brasileira, um debate maior sobre a construção do sexismo no cotidiano da escola. Teve o objetivo de investigar sobre a manifestação e/ou reprodução dos estereótipos de gênero nas aulas de Educação Física e nas atividades lúdicas e motoras, em crianças de 2a e 3a séries do Ensino Fundamental do Centro de Atenção Integral à Criança – CAIC – Seropédica, RJ. A investigação se desenvolveu através de uma pesquisa qualitativa de observação participativa, tendo como eixo condutor a abordagem etnográfica, através do acompanhamento das aulas, interpretação dos desenhos elaborados pelas crianças, entrevistas, filmagem, fotos e aplicação do Teste de Estereótipos de Gênero nas Atividades Motoras – TEGAM - com as crianças e professoras. O estudo procurou levantar informações relevantes da cultura do grupo, buscando entender os diversos eventos que se instalam ou transformam as condutas sociais. O universo da escola é dividido. As crianças percebem as atividades desenvolvidas nas aulas de Educação Física como separadas por sexo, apesar de mistas. Meninos e meninas ocupam espaços diferentes para a prática das atividades lúdicas, poucos meninos brincam juntos com as meninas, e estas brincam menos ainda com eles, pois permanece, no espaço recreativo, a idéia do campo de futebol como universo sagrado masculino. Através da aplicação do TEGAM, os estereótipos femininos apontados pelos meninos foram: a falta de habilidade feminina, a feminilidade, a vaidade e a infantilidade; e os estereótipos masculinos apontados pelos meninos: machismo, vigor físico, agressividade; As meninas apresentaram os seguintes estereótipos masculinos: machismo, agressividade, vergonha e vigor físico; e os femininos: a falta de habilidade feminina, feminilidade e infantilidade. Os estereótipos apontados pelas professoras, como dificultando a participação dos meninos em algumas brincadeiras e jogos foram: machismo e vergonha; e para as a participação de meninas em determinadas atividades foram: feminilidade e vaidade. Através de 47 desenhos foi possível observar que há separação por sexo nas atividades lúdicas e motoras das crianças do CAIC, fato que pôde ser distinguido nitidamente através de três grupos de desenhos: Grupo A (22 desenhos), que apresenta a separação entre os sexos no que se refere aos espaços de ocupação por cada sexo e às atividades motoras diferenciados para meninos e meninas; Grupo B (9 desenhos), que aponta para uma interação entre os sexos, porém sugerindo confronto, e, em alguns desenhos, apontando para a superioridade masculina; e o Grupo C (16 desenhos), que mostra a participação de meninos e meninas brincando juntos. Finalmente, pôde-se verificar que a escola perpetua e reforça os comportamentos considerados adequados para meninos e meninas, oriundos da educação familiar, fato que contribui para que as crianças sejam desencorajadas a praticar as atividades corporais consideradas não adequadas ao seu sexo. A escola, mais do que a reprodução dos padrões baseados nos papéis sexuais, parece implementar uma educação dos corpos com base no sexo.

Participe você também da maior rede acadêmica da Educação Física Escolar. Entre em contato se tiver mais dúvidas.

rebescolar@rebescolar,com

 

Tel. +55 (11) 98508-7766

  • White Facebook Icon
  • White YouTube Icon

Bottom

Top